Poesia Aprisionada

Poesia aprisionada

 

O poeta é aquele que o não é.

É o cego que vê a luz para lá da forma,

é o surdo que ouve a dor da terra em chaga,

é o homem de mãos rudes e gretadas

que ajuda a nascer a madrugada.

 

E nela vê o milagre a cada dia

em contemplação da divina natureza.

E nela vê o eterno, e é poesia

que é livre, sem dono a quem pertença.

Mas os mais que a sentem nem a dizem,

e guardam-na em segredo sem partilha.

 

E para que a poesia floresça,

ofereçam a beber à juventude

a natureza sequiosa de paixão,

mas libertem a poesia do exame,

e proíbam aos professores a explicação.

Explicar a poesia é matá-la,

e nem mesmo o poeta que a sente

a prende com as teias da razão.